18 junho 2016

Sempre pra sentir vontade



     Daqueles olhos eu bebia noite e dia. E vivia intensamente meus sonhos em segredo, pois não queria me mostrar frágil ou clichê. Meu objetivo não era mentir ou me esconder, mas mostrar meus sentimentos por completo nunca fora meu forte. E sempre me incomodara a tamanha facilidade em que os outros me têm. E aqueles olhos me teve, por um longo tempo de poucas horas. E eu não soube como mante-los em mim, não soube cuida-los, talvez até sabia, mas... tive medo. Medo de me doar por inteiro, e no fim, sumir. Foram poucas as vezes que isso aconteceu comigo, não é complicado perder-se em outro alguém, mas depois, quando tudo chega ao fim, é difícil se encontrar novamente. E dói.
    Decidi proteger o par de olhos de mim, e tomei uma distancia razoável. Criei estrategias infalíveis, que pragava a sanidade de todos envolvidos, e no fim? Faliu. Afastei de mim os tais olhos, e um possível sofrimento, e sofri com isso. Sim, foi isso, tive medo de sofrer! E foi fugindo do sofrimento... que eu padeci. Como o medo que empobrece a alma, como vergonha que encolhe, como a insegurança que aprisiona... eu me fiz escrava de uma vontade pura, e um temor absoluto. Vontade do quê sentir, saudade do que eu nem vivi.



Um comentário:

  1. Que bonito seu texto! Li o post ouvindo a música e gostei muito!
    bjs
    blogtrashrock.com

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Olá, marujo! Agradeço desde já pelo seu comentário, é muito legal saber o que acham das postagens. Não se esqueça de deixar o link do seu blog para que eu possa retribuir o comentário.