26 abril 2016

O Dia em que eu me amei - Parte 1


É normal se sentir um patinho feio quando se da conta da diversidade de estilos, gostos e padrões que existem em nossa volta, mas isso pode se tornar um problema quando se torna algo permanente. 
Eu fui uma das demais pessoas que passou por isso, desde muito pequena fi de encontrar os meus defeitos, e isso só foi piorando com o tempo, mas hoje sinto que deixei muito desse "antigo eu" para trás, e resolvi escrever esse post para compartilhar com quem querer saber sobre meus antigos medos, e talvez até ajudar alguém a enfrentar seus próprios medos.




Eu fui uma criança muito feliz, mas não nego que com meus 9 anos de idade havia algumas características em mim que me perturbavam. Uma delas era o meu cabelo encaracolado, sim, eu tinha cachos e hoje não os tenho mais. 
Me arrisco a por um pouco da culpa na mídia que sempre mostrava as belas mulheres das novelas com seus longos cabelos lisos, além das bonecas e desenhos animados. Eu nunca havia pensado "por quê elas não são como eu?" e sim "eu quero ser como elas", pois as admirava. Não que eu achasse os meus cachos feios (apesar de me irritar sempre para penteá-los kk), é normal que toda criança queira se parecer com alguma princesa da Disney, e naquela época nenhuma se parecia comigo. E para eu me sentir bonita... eu me mudei. Com a idade conheci a famosa chapinha, lembro-me que toda manhã amarrava o cabelo em um rabo de cavalo e alisava somente a franja para ir a escola. Quando fui para o ensino médio, começaram as progressivas e outras químicas cuja não sei nem mesmo o nome, e não parou mais. Hoje não há cachos nem sei mais como é te-los. Quando está "natural" meu cabelo prefere ficar meio ondulado, o que não me incomoda mas já jurei a mim mesma que não farei mais progressivas, e resgatarei meus cachos novamente. (o processo não é fácil;)


Eu odiava ter sardas... fim. Bem, essa parte devo culpar um pouco os meus colegas de classe, porém, como eram crianças assim como eu, eles acabam perdoados. 
Eu recebia muitos apelidos maldosos por ter sardas, talvez tudo fosse mesmo brincadeira de criança, mas me afetava bastante. Como eu sempre tive sardas elas eram algo comum para mim, era como se eu nem as tivesse, ou... como se todo mundo tivesse... enfim, eu só de fato lembrava que essa característica não era natural para todos quando me perguntavam por quê eu era cheia de pintas pelo rosto. E como todos zombavam de mim por isso e me comparavam a diversas coisas para me afetar, eu acabei associando elas a pura punição da vida. Por quê diabos eu tinha sardas? Foi então que veio a curiosidade, de saber como elas surgiam e o que eu precisava fazer para tira-las. Descobri muitas coisas, e uma delas era que as sardas aumentavam com a exposição a luz solar... eu evitei a luz do sol. Lembro-me como hoje, eu criança, passando sobre linhas de sombras por puro medo de um raio de sol encostar em mim. Logo descobri também que era possível tirar as sardas, e sempre que eu alguém fazia algum comentário sobre elas, eu dizia orgulhosa "eu não terei mais sardas quando e for de maior".


Eu tinha Diastema, o que é até hoje visto como um defeito por muitos. Ter os dentes separados é intimidador, na adolescência a maioria de minhas fotos eram com aquele sorriso de lábios apertados, pois eu tinha vergonha da minha falha. E quem não teria? A sociedade tem um poder incrível sobre nós, ainda mais quando os damos ouvidos. Já saindo do ensino fundamental comecei a usar o aparelho dentário, e hoje meu sorriso é outro, mas isso não quer dizer que é assim o final feliz. Para com isso de sorriso perfeito "dentes grandes são os mais bonitos" "dentes quadrados são os mais lindos" não existe sorriso perfeito, cada um é bonito de uma forma. Deixe as pessoas de dentes falhados em paz! 


Eu sou branquela. Uma coisa é você ser branco, outra coisa é ser visto como branquelo. Eu sou muito clara, as vezes até me assusto quando noto. Naquelas tardes frias, que o clima todo parece estar meio azul e eu consigo ver toda minha silhueta nitidamente enquanto os outros meio que já se tornaram parte do cenário, sabe? tipo isso. Não durou muito, mas eu já tive receio de usar bikinis com a minha brancura, já que todos costumam abominar aqueles que são "exagerados" em algo. Com toda a sorte essa característica não durou muito tempo sendo considerada defeito, pois com o tempo reconheci que era apenas uma cor, e que não valeria a pena sair por ai me bronzeando só para agradar alguém.

 

Esse foi um dos piores, eu detestava meu peso. Minha alimentação nunca foi das melhores, eu tinha sempre energia pra gastar e minha altura ajudou para isso. É normal não gostar do seu corpo, infelizmente, pois sinceramente, é horrível não querer se olhar no espelho. Não é nada legal quando te provocam com apelidos maldosos ou quando você sente vergonha de usar um short curto para ninguém notar a grossura de suas pernas. Não sei bem o que me fez odiar ter o corpo que eu tinha, creio eu que isso veio da região onde morei. O nordeste costuma valoriza a mulher "carnuda", aquelas de curvas bem largas e cantos avantajados (claro que não podemos estereotipar, nem todos acham o mesmo), e eu sempre (até os dias atuais) tive corpo de manequim. Muitos podem achar que eu pirei, pois vivemos em um mundo onde as ditadoras da beleza são mulheres altas e magras, mas eu não tive nenhuma vantagem com por ser assim, somente apelidos e chacota, o que é triste pois o mundo se esquece de que todas as pessoas sofrem. Sim, garota magras também sofrem com seu peso, não é essa maravilha toda que muitos dizem ser. Não é. 

Bem, essas foram as características que antes eram consideradas defeitos por mim. Para o post não ficar tão longo, dividirei ele em primeira e segunda parte, e no próximo contarei como me livrei dos meus medos e comecei de fato a me amar da maneira que eu era, o que me faz ser o que sou hoje.

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