21 janeiro 2016

A moça


Eu a vi naquele momento
Tão linda como em outras vezes
Seus cabelos longos acastanhados 
Suaves, brincavam com o vento

Sua pele pálida
Parecia mais clara com o tom de azul do céu
E até seus olhos azuis com água
Se mostravam mais azulados e frios

Parecia triste, mas sorriu para mim
Aquele breve sorriso que diz: "Tudo bem"
Mas não estava nada bem, eu sabia
Podia notar além daquele salgado olhar

Sua boca rosada
Estremecia com a dimensão sob seus pés
Que se encontravam descalços, como ela gostava
O vestido branco que usara, sacudia-se com velocidade

Seus braços abriram-se aos poucos
Tomando forma de pássaro
Como algo assustador pode ser tão belo?
Ela podia fazer isso

Pude a ver se afastar de mim
Sumir de onde eu conseguia vê-la
Após, distante me mantive 
Não podia vê-la de outra forma

Meus olhos devagar se abaixaram 
E se fecharam com tristeza
Aquilo realmente aconteceu 
E eu fui o único a me despedir da doce dama

A mesma que sempre vira passar por mim
Nos corredores, elevadores e portões
Com seus óculos redondos, chapéis estranhos
Shorts rasgados, de blusas listradas e sacolas do lado

A dona de um silêncio profundo
Que encantava qualquer um nos dias ruins
Com quem nunca tive a chance de conhecer
De dizer algo além de um tímido "oi" ou "bom dia"


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