20 dezembro 2015

Não voltarei


-Já vai?
-Você quer que eu vá?
Um silêncio aterrorizou meu coração, estava incerta mas com a certeza em mim. Era como sentir sede mergulhada em uma fonte de água doce e transparente. 
-Não... mas não quero que fique. 
-Não pode sentir duas coisas ao mesmo tempo.
-E não sinto.
-E o que você sente?
-Sinto vontade de ir embora... da sua vida.
-Hum...
-Você iria atrás de mim se eu fosse?
-Não.
-Por quê?
-Porquê se você querer ir, eu não irei te impedir. Não te prenderei em minhas escolhas.
-Então você me deixaria partir?
-Sim... mas sempre que precisasse, estaria aqui por você quando voltar.
-E se eu não voltar?
-Bom... acredito que ficarei abalado, admito.
Ficamos ali, calados em frente aquele fusca azul que me transmitia enjoo. Ele arrumou as malas e se despediu.
-Eu estou indo, mas sei que é você quem sente a vontade de ir embora agora. Por isso, saiba que eu estarei aqui se caso voltar.
Ele entrou no carro e deu a partida, me deixando com um ar melancólico e desgastante. Entendia as idéias daquele rapaz, e sabia que seu objetivo foi nunca me ferir. Mas nunca entendera ele que, em todas as vezes que me afastei, foi quando mais precisei de alguém. Alguém que me impedisse de ir. 

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