20 dezembro 2015

Esquecidos em caixas de papelão


Depois de um dia relâmpago e cansativo, você volta do trabalho para a casa, com os passos apressados pois o céu está nublado e você não quer se molhar, pois sabe que isso ocuparia mais do seu tempo. Os primeiros pingos se apresentam mas já era tarde, conseguirá se livrar da chuva já que estava dentro do primeiro ônibus da trajetória.
 Chegando em casa o subir das escadas parece te deixar mais cansada, seus ombros doí e seus pés imploram por misericórdia. E mesmo depois de alguns anos nessa rotina, sua mente ainda parece se perder nos afazeres. Você tira os sapatos, solta os cabelos e joga as chave em qualquer canto do sofá. Vai até a cozinha iniciar o jantar, o prato da vez seria lasanha. Depois de prepara-la levou para o forno, e então aproveita alguns minutos para cumprir outras tarefas, e uma delas era encontrar seu moletom. Desde que se mudará nunca sentira tanto frio, e aí que nota a falta do seu velho moletom no guarda roupas. "Está nas caixas" você pensa, pois você seria incapaz de abandoná-lo em outra cidade. Na procura vai direto para o "quartinho da bagunça" que na verdade era uma pequeno cubículo onde esquecerá todas as bugigangas e coisas do passado, não queria espalhadas pelo apartamento mas também não conseguirá se livrar delas. E é ao meio da bagunça que você se pergunta "porque mesmo não me livrei disso?" em tantas caixas que em momento algum precisaram ser abertas, o que dificultará a procura do moletom.
 Em meio a papelão e curiosidade você decide abrir aquelas caixas para se despedir do que só ocupava espaço. E é então que você se recorda. Perguntas do tipo "Por que não joguei isso fora?" tem suas respostas compreendidas. Lá estavam fotos e agendas dos seus anos de escola. Uma forte e breve nostalgia balança sua alma, foi como viver tudo outra vez por alguns segundos. Você então captura uma fotografia em meio a tantas e encara bem cada rosto nela estampado. Um leve sorriso brota em seu rosto. Ali estavam pessoas com quem você costumava conversar, brincar, sorrir. Uma pequena dor bate no peito quando você relembra das juras de eternidade feitas, das promessas realizadas pela saudade nas despedidas. No tempo que você pensava que seria tão simples manter tudo o que já existiu, como se o futuro que te aguardava fossem as férias dos outros anos. Nada disso aconteceu. Nos primeiros meses uns e outros permaneceram, mas com o passar do tempo as mensagem recebidas e feitas eram somente para parabenizar alguém por mais um ano de vida.
 "Onde eles estão agora?", você sabia que alguns daquela fotografias já eram pais, outros estavam em outro país, uns seguiram caminhos diferentes de seus sonhos e outros você nunca mais ouvira falar. Mas sua pergunta era mais além, você queria saber se eles assim como você tinham alguma recordação do passado, um dos outros. "Não, ocupados demais para isso", pensara. O que era divertido tornou-se passado em lembranças que terminaram em fotografias esquecidas em caixas de papelão.
 É nesse momento que um mau estar lhe vem, seu corpo se irrita e o ambiente parece se tornar impuro, um incômodo inexplicável toma conta de si, você conseguia até mesmo imaginar o cheiro da angustia que lhe invadia de repente. Um susto! Acabara de queimar a lasanha. Você sai as pressas soltando as fotografias no ar. O tempo não para.

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