09 novembro 2015

Entendendo os nossos pais


Quando eu tinha cerca de 6 anos (ou menos) peguei minha lancheira de cor amarela e nela guardei: Uma toalha, uma garrafinha com água e uma maça. De acordo comigo, ali estava os meus suprimentos para sobreviver no mundo sozinha, depois de ficar farta com os problemas em casa. Essa foi a primeira vez que eu fugi de casa e sim, houveram outras vezes, mas todas nessa faze de criança revoltada. E em todas elas eu não passei da esquina. Muito rebelde, não é mesmo?
 Juro que eu lembro de uma dessas vezes, e posso até contar. Lembro da lancheira, da minha preocupação com os alimentos sendo eles sempre os mesmos. E claro, algo que naquela época eu não entendia, meus pais me vendo ir embora e rindo da situação. "O que?" eu pensava "Riem enquanto me vê partir?".


É incrível como as fazes nos mudam, de forma extrema. Pois tenho a certeza que, se caso hoje eu arrumasse as malas e anunciasse a partida, meus pais não iriam rir. Pois assim como a minha coragem que aumentara de fazer certas coisas, ao longo do tempo, cresceu também o medo dos meus pais. E aí encontramos um caso onde os papeis se invertem. Não precisamos tanto um do outro assim... As conversas, as obrigações e as brigas agora são outras, mais complicadas e amargas. É tão complicado entender o que se passa na cabeça deles, que até esquecemos que nós é que somos os adolescentes. E por uma questão simples de "reconhecer o mundo" e hormônios a flor da pele, já perdemos um ponto no tribunal. Se bem que os pais, na maioria, não ficam pra trás! Mas quem é o certo nessa historia? Pois assim como é tudo novo em ser filho para mim, é em ser pais para eles! E assim como 10 anos é tanto para mim, é apenas mais uma década de várias outras para eles! Vivemos em tempos opostos, e isso complica tanto! 

São pais que nos tiram do sono
São pais que nos tiram do sonho
São pais que nos deixam nos sonhos
São pais que nos fazem seus sonhos

Existe tantos tipos de pais!
E nós? O que somos?

São filhos que nos obedecem
São filhos que nos entristecem
São filhos que nos amadurecem
São filhos que nos esquecem

Pai que já foi filho
Filho que se torna pai

Pai que já foi filho
Desconfia do filho que não é pai

Filho que agora é pai
Entende o pai que já foi filho

É, é confuso, e nem sempre é dessa forma (ou ordem) que acontece, mas a verdade é que são exceções. Como se diz certa musica de um certo cantor que admiro, culpamos nossos pais por tudo e isso é absurdo. Pois eles, os nossos pais, são apenas crianças crescidas, como nós. O que vamos ser um dia. E então tudo será tão claro "agora entendo o que meus pais sentiram" e não será fácil passar essa mensagem para os nossos filhos, assim como não foi para os nossos pais. Pois, além de fazes extremamente diferentes, vivemos em mundos opostos, e não vivemos sozinhos neles. Por isso, é sempre bom ter alguém em quem confiar... geralmente, são eles a melhor opção.




Já briguei diversas vezes com os meus pais, foram coisas sérias outras bobas. Brigas, discussões e culpados e vitimas! É lamentavelmente horrível... você se sente desamparado, com medo, raiva e culpa. Principalmente raiva, por isso é normal achar que você pode mesmo ser dona do próprio nariz. Ou sair por aí com uma maçã e uma tolha achando que vai conseguir se virar. Tem gente é que é jogada pra vida sem escolha, muitos conseguem mesmo se virar mas tenha a certeza que não foi nada fácil. Mas quando se trata de raiva nossa alma apodrece, e nem pensamos nisso em certas decisões, só queremos estar longe do problema como se isso fosse a solução. E quando se é filho, e mora com os pais, qualquer coisa pode ser tornar um problema.


Sabe quando você assiste algo na TV e aquilo é relacionado com alguma experiencia já vivida por você? Bom, a coca-cola me fez sentir isso e eu nem preciso explicar o porquê. E que comercial lindo! Pois é realmente isso, mesmo quando não parece mesmo ser. A família (os nossos pais) tem um papel tão preciso e importante na vida de cada pessoa. E queria eu, que todos soubessem o que é se sentir em uma família, ou com alguém que lhe traga conforto e proteção em um aperto de mão ao atravessar a rua, ou um abraço que alivia o medo do escuro, ou até mesmo um beijo de boa noite que por algum motivo te faz ter uma boa noite.  E a verdade é que sim, precisamos muito um do outro. Talvez, quem sabe, mais que antes.

Pais maus do Dr. Carlos Hecktheuer, Médico Psiquiatra

"Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva pais e mães, eu hei de dizer-lhes: - Eu os amei o suficiente para ter-lhes perguntado aonde vão, com quem vão, e a que horas regressarão.
- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar os doces que tiraram do supermercado, ou revistas, do jornaleiro, e fazê-los dizer ao dono: "Nós tiramos isto ontem, e queríamos pagar".

- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu os amei o suficiente para deixá-los ver, além do amor que eu sentia por vocês, o meu desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para lhes dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até me odiaram).

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.
Estou contente, venci... Porque, no final, vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva pais e mães; quando eles perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:
"Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo. As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvetes no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
Insistiam em que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nossos pais insistiam sempre conosco para que lhes disséssemos sempre a verdade, e apenas a verdade.
E, quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!

Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos até os 16 para chegar um pouco mais tarde; e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos, ao voltar).
Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubo, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por crime algum.
FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!
Agora, que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o melhor para sermos PAIS MAUS, como eles foram".
EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:
NÃO HÁ PAIS MAUS O SUFICIENTE!
Vocês podem até discordar do texto acima, mas eu sei bem lá no fundo que um dia eu posso ser como os meus pais, e somando o tempo que será outro e que nada será como é agora, poderei ser até pior, e isso não será fácil! Acontece que temos que ser pais a nossa maneira, mas ser pais não é nenhuma brincadeira e um dia se tornará nossa maior responsabilidade. Por isso, compreenda (mesmo que um pouquinho) os seus pais, eu estou tentando fazer isso, e aprenda com eles.

Um comentário:

  1. Que post maravilhoso!!!

    Ah... Quem irá entender a vida? Nossa opção é nos adaptarmos e procurarmos obter o máximo de aprendizado possível (e impossível).

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Olá, marujo! Agradeço desde já pelo seu comentário, é muito legal saber o que acham das postagens. Não se esqueça de deixar o link do seu blog para que eu possa retribuir o comentário.