26 agosto 2015

Cardiologista


Estava ansioso, nunca havia me preocupado tanto com a minha saúde. Minhas mãos soam enquanto aguardo em um corredor quase vazio, e já são 23:53. Sempre achei essas cadeiras de hospitais uma droga! O doutor sai com alguns papeis nas mãos e me chama para um conversa em sua sala.
-Então doutor, o que está havendo comigo?
-Jorge, por favor, quero que você me diga exatamente o que está sentindo. Tudo bem? Vamos lá.
-Eu não sei bem, mas nunca senti isso antes. As vezes meu coração palpita rapidamente, as vezes ele parece sereno e as vezes não o sinto, como se ele estivesse vazio ou fraco de mais para pulsar.
-Hum... foi isso que te trouxe até aqui?
-Na verdade, o que me trouxe até aqui foi uma dor.
-Uma dor?!
-Sim! Uma dor, uma leve dor que me atormenta. É como se meu coração estivesse sendo pressionado com força por mãos delicadas e impiedosas. É torturante, quando a sinto chego a acreditar que não vai ter fim.
-Hum... uma dor que parece não ter fim? Sabe Jorge, esses papeis trazem as respostas de seus exames.
-Por favor doutor não esconda nada de mim, estou preparado para qualquer resposta.
-Bom, não há o que se preocupar. Você está ótimo, não há nada de errado.
O doutor jogou os papeis sobre a mesa virados para mim, lá estava meu diagnostico. Ele parecia tranquilo, o que me causou revolta, dirigi as pressas a procura de ajuda e é isso? Com certeza ele não estava comigo nas noites mal dormidas por causa daquela dor.
-Acho que o senhor não entendeu doutor, eu sei que há algo de errado comigo por isso estou aqui.
-Não, Jorge. Não há.
-Isso é uma pegadinha? Por que diabos eu procuraria um cardiologista se caso não estivesse sentindo algo?
-Acredite em mim, seu coração está forte e não há nenhum risco. Por isso não entendi todo esse seu pânico.
-Mas o que explica o que eu sinto, doutor? Não faz sentido! Eu não sou louco a ponto de inventar uma dor.
-Sabe Jorge, creio que dores não são inventadas e sim alimentadas. Durante todos esses anos nessa profissão nunca recebi um paciente como você. Mas sinto em te dizer que seu problema é bem mais profundo do que parece.
-E isso é grave?
-Depende do ponto de vista de cada um. A dor que você sente não pode ser examinada por médico algum, nem mesmo por um cardiologista como eu. A única pessoa que poderá te ajudar em um momento como esse é você mesmo.
-Mas eu não consigo, é mais forte que eu!
-Não se você parar de alimenta-la. Não crie um mostro dentro de você, caso contrario um dia poderá realmente precisar de mim.
-Então não há mesmo nada de errado com meu coração?
-Não, Jorge, não há.
-E o que há?
-Bom, esses sintomas citados por você é claramente o inicio de uma paixão. Se bem que você parece estar em um nível mais avançado, o que só dificulta as coisas. Lamento em dizer que medicina ainda não encontrou a cura para a isso. Mas não há nada de errado com o seu coração.

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