22 abril 2015

A Pesquisa de Júlia - Episódio 10 (Fim)

"Tanto" -É Que Eu Preciso Dizer Que Te Amo (Aqui)

Veronika bebericava o café em uma de suas canecas modernas enquanto lia alguma coluna em qualquer revista que encontrara, como fazia em toda manhã. Estava um pouco frio, pois o clima de sua cidade sempre fora úmido e cinza. Em cima da geladeira havia um pequeno radio ligado, tocando uma musica em um volume baixo, era assim que Júlia começava as suas manhãs, e mudar aquilo seria mudar suas próprias manhãs, pois já havia se acostumado.
 Eram 8:45 quando alguém batucou a porta, Veronika  se dirigiu até ela e a abriu. Lá estava Júlia, usando uma blusa da cor vinho, uma jaqueta meio velha e suas incomparáveis calça jeans. Veronika sempre dissera a Júlia que calça jeans eram seu forte, simplesmente lhe caiam bem. As duas se olharam, e depois de finalmente se comunicarem pelo o olhar, se abraçaram.
-Eu ainda não estou acreditando que isso realmente aconteceu. Sério, parecia que você apenas tinha tirado umas ferias de mim. -Disse Veronika depois de ouvir sobre a jornada de Júlia.
-Bom... agora tudo o que eu preciso é de um bom banho.
Júlia tirou a jaqueta e jogou sobre o sofá indo para o banheiro, Verinika a chamou.
-Júlia!
Júlia voltou alguns passos e a olhou, notando que sua amiga estava séria.
-Oi?
-Promete que, não vai fazer isso novamente?
Júlia percebeu o preocupação nos olhos de Veronika, e riu.
-Tudo bem, Veronika. Dessa vez você venceu.-Disse sorrindo e foi para o banho.
Júlia passou cerca de horas sobre os pingos de água que pareciam banhar sua alma, ela não se preocupava com o mundo lá fora e nem mesmo com o que sentia. Depois disso ela resolveu comer algo enquanto assistia Tv, passava um realete onde existia um casal, o que a fez se perguntar várias coisas mas decidiu não pensar mais sobre isso. Desligou e foi se deitar, tudo o que Júlia desejara naquele momento era se desligar também.
 Veronika acorda as 6:00 como sempre fazia, para preparar-se para o trabalho. Logo se estranha com o cheiro de café pela casa, e se surpreende ao encontrar Júlia na cozinha lendo vários livros e revistas.
-Tá explicado porque o dia amanheceu duplado. -Disse Veronika rindo.
-Bom dia pra você também.
-O que está fazendo? Bolando mais um de suas planos infalíveis?
-Estou lendo alguns romances conhecidos. Capitu de Machado D'Assis, você acaba criando um amor e ódio pelos os personagens. Acredita que um homem que tanto amou alguém e fez tudo para ter esse alguém, acabará sozinho? É tão triste.
Veronika se aproxima e resgata da mesa lotada um famoso livro de Shakespeare.
-Ah! Essa historia eu conheço, Romeu e Julieta. Quem não conhece?
-Outra, em que por um engano os personagens principais acabam mortos. Eles preferiam qualquer coisa que não fosse ficar longe um do outro. Sabe o que é isso Veronika?
-Loucura?
-Talvez, mas em todas essas historias o amor os influenciam a fazer coisas que talvez eles não fariam se caso não estivessem...
-Loucos?
-Apaixonados!
-Ou seja, loucos.
Júlia riu de Veronika, sabia que a amiga falava sério ao comparar paixão com loucura, e talvez estivesse certa sobre isso.
-Por que negamos essa loucura hoje em dia?
-Por que hoje em dia não é como antigamente, Júlia. As pessoas levam o amor ao pé da letra, se Shakespeare estivesse escrevendo sobre o amor hoje, Julieta estaria gravida vivendo na casa dos pais enquanto Romeu trabalhava pesado para sustentar um lar que ainda nem conseguiram ter, isso enquanto ambos percebem que não se amam mais, ou que talvez nunca se amaram de verdade.
Júlia refletiu sobre 1.001 coisas, lembrara até de um velho amigo que tivera. Veronika resumiu como um gênio tudo o que realmente acontecia na vida de milhares de pessoas, e logo lhe bateu uma vontade enorme de escrever sobre aquilo. Foi o que ela fez.

-Amor... Por que nos consideremos pessoas que sabem amar, mas em situações de raiva, medo e até paixão, ficamos perdidos, sem saber o que fazer. Certa vez, há uns 14 anos atrás, ou mais... eu tentei descobrir o que era o amor. Cheguei a pensar que depois de uma longa aventura, já havia encontrado a resposta. Foi que então originou-se o meu primeiro livro "A Pesquisa de Júlia". Quem sou para definir algo tão lindo como o amor, mas posso me arriscar a dizer algumas coisas e por isso escrevi esse texto.

"O amor é algo sinistro que acontece na vida de poucos, ou de muitos e nem todos conseguem perceber. Muitas vezes ele é visto como um vilão, um bandido sem coração que só entra em nossa vida apenas atrás de desgraça. Outros preferem o enxergar com bons olhos, o considerando a magia de viver. Talvez o amor seja isso tudo, ou nenhum dos dois, quem sabe o amor seja algo inventado por nós e nem sabemos. Mas uma coisa é certa, existe várias formas de amor e diversas formas de amar e talvez ele seja o melhor remédio contra qualquer maldade que há no mundo. Muitas vezes o amor é fogo que arde sem se ver e ferida que dói e não se sente. Muitas vezes o amor é padecer, ver partir e morrer sem ter. Muitas vezes o amor é arma, cura, riso, lágrima. Tudo aquilo que você quer que ele seja. Mas se quer realmente saber, o amor é apenas uma palavra formada de letras e nada mais, amar sim, é que faz tudo ter sentido."

Depois de todas as palavras lidas, o som dos estralos das palmas rápidas e lentas invadiram os ouvidos de Júlia, que sorriu para seu público que não se cansavam de suas palavras, livros e pesquisas.

6 comentários:

  1. Todos os capítulos foram espetaculares, tanto é que não devia acabar... :(
    Júlia e sua curiosidade...

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  2. Respostas
    1. Que amor *-* muito obrigada, é bom "ouvir" isso ^^

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  3. Você escreve MUITO bem! Sério! Você tem uma coisa que me prende e que me faz não querer parar de ler , o quê sinceramente, é incrível.
    Beijos,
    http://imagine-com-o-biebs.blogspot.com.br/

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    1. Nossa, ler isso foi como se sentir simplesmente bem, sabe? Muito obrigada mesmo! É bom saber que tem gente que gosta disso além de mim. Beijoos!!

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