23 fevereiro 2015

Em um quarto escuro às 16:44

Me deito sobre a escuridão do quarto silencioso que se torna frio com o clima lá fora. É apenas 16:44, mas as nuvens estão cinzas e as cortinas fechadas ajudam a tornar o hambiente ainda mais parecido com o que estou sentindo. E eu não sei exatamente o que seria isso, isso que ocorre aqui dentro... de mim. Existe uma orquestra tocando musicas vibrantes que zoam como algo que ecoa distante, mas ao mesmo tempo intenso e tão preciso. Sinto cada célula morrendo a cada segundo que se passa, e me pergunto como me lembrarei desse dia, amanhã. E de repente me recordo de momentos que aconteceram a anos, e minutos atrás. E quando volto a viver o presente, percebo que o quarto se torna cada vez mais escuro e frio, e que a orquestra dentro de mim já parou de tocar. E são essas percepções que me deixam cada vez mais preocupada, ao saber que a loucura pode ser um caminho sem volta, e que o futuro ainda me assusta. Tudo o que eu preciso está logo ali, não sei o que, mas parece tão difícil alçar. É como doar tudo o que há, e saber que todo o seu tudo é insuficiente...    
  Eu nunca me importei com isso, com tudo que a maioria das pessoas se importam. Mas agora, trancada nesse quarto, notando que ultimamente minha playlist anda um tanto desanimada, percebo que durante todo o esse tempo tudo o que eu fiz foi me importar. E talvez isso justifica todo esse sentir, essas vozes que vez ou outra ecoam, essa desconfortável sensação de saber que a cada minuto que se passa, morremos cada vez mais... a vida é um sopro.                                                          
  Eu já nem me lembro mais qual era o objetivo das minhas palavras a princípio, assim como minha vinda até aqui. Nem sei se isso faz realmente alguma diferença. Bom, não recomendo a ninguém a se deixar levar por canção tristes em quarto frio e sem luz.            
  Talvez eu deveria abrir as janelas. Mas as nuvens continuariam trancadas e a luz permaneceria presa. Talvez eu devesse olhar tudo de uma forma harmônica e otimista. Mas continuaria havendo motivos, tais que não podem ser ignorados. Talvez tudo transformaria se caso eu excluísse essas musicas deprimentes de minhas pastas. Mas ainda haverei de ouvir a osquestra tocando sempre que ela se sentir-se à vontade. Talvez eu deveria sorrir e fingir que nada me abala. Mas eu estaria mentindo. Talvez se finalmente eu parasse de me importar e de uma vez por todas fugir dos meus sentimentos... E então, estaria sendo covarde. Afinal, o que deveria ser feito além de aprender a caminhar com dias assim? Todos tentam a todo momento desvendar o a grande segredo da vida, mas a verdade é que a vida não nos esconde nada. E não há segredo algum.


2 comentários:

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