06 dezembro 2014

A Pesquisa de Júlia - Episódio 7

"And never feel let down again" -Twp Pieces (Aqui)

Depois de um bom tempo vagando pela estrada a procura de alguém que os ajudasse, finalmente a dupla havia conseguido carona, seguindo seus destinos agora planejados. Subiram em cima de uma C10 velha, quase caindo aos pedações. Era a unica opção se caso eles quisessem chegar até o ponto esperado. Júlia e Davi estavam se dando muito bem com a presença do outro, era como se eles já se conhecessem a um bom tempo. A cada minuto um descoberta era feita, e momentos do passado eram compartilhados.
-Eu não acredito que você queimou o cabelo da sua mãe no seu aniversário de 10 anos! -Falava entre risos.
-Foi um acidente, eu repito! -Logo riu também.
Júlia gostava do bom humor de Davi, ele não escondia nada e fazia do sério algo engraçado. Sempre achara as pessoas engraçadas as melhores, logo teve certeza disso.
-Eles não te procuraram depois?
-Quem? Meus pais?
Ela acenou com a cabeça.
-Sim, muitas vezes na verdade. E é claro que eles me encontraram, mas eu decidi ficar... não queria voltar com eles.
-Se arrepende disso?
Ele analisou a pergunta e demorou para responder, era uma de suas características. Davi era do tipo quieto, e sabia ser simpático e engraçado, mas tudo no tempo dele.
-Nem me arrependo. Até porquê, se eu tivesse voltado não estaria aqui com você, nessa lata velha ambulante.
Júlia riu das palavras que zoaram engraçadas, só depois percebeu o que acabara de ouvir, e parecia ter sido a única a notar a beleza daquela resposta pois David já estava vasculhando em uma mochila que levava para onde ia.
-O que está procurando?
-A minha paz... espere um pouco, ela está por aqui e... achei!
Da mochila ele ergueu uma gaita, um instrumento que Júlia só via em filmes, o mesmo que a fazia pensar que somente idosos e mendigos o teria.
-Uma gaita?
-Sim, era do meu pai e ele me deu. Eu amo o som que isso faz, me leva para outro universo.
-Você sabe tocar?
Ele pegou o pequeno instrumento e colocou entre os lábios, assoprando com os pulmões cheio de ar e logo puderam ouvir uma melodia.  Júlia conhecia aquela canção, e ele parecia saber disso pois escolheu justo aquela. Uma musica que mexia com o interior de qualquer um... Sozinho, Caitano Veloso, é. Ela fechou os olhos e deixou o som a invadir, enquanto sentia seus longos fios se bagunçarem com o vento que assoprava seu rosto, parecia estar no céu.

 Júlia acordou com um leve batida que deu com a cabeça no carro, o mesmo que se encontrava parado. Davi que dormia sobre a mochila também acordou, os dois desceram e viram que o carro estava com um problema no motor. Por sorte, estavam perto de posto onde poderiam lanchar, e procurar outra forma de seguir seus destinos.Enquanto não encontravam um novo veiculo, eles seguiam andando pela estrada, conversando e rindo de suas historias do passado.
-Mas então garoto mistério, tem outra coisa além da gaia que eu não saiba sobre você?
Davi riu da situação em que se metera, pois apesar de ser talentoso em algumas atividades nunca dividira isso com alguém além de seus familiares. Nem mesmo seus amigos mais próximos sabiam de seu amor pela musica.
-Ah... eu sei tocar um pouco de sanfona, meu avô queria me ensinar a tocar aquele treco acima de tudo. -Ele riu ao lembrar. -Mas eu até gostava, assim eu poderia vê-lo com mais frequência. E, em momentos vagos eu gosto de desenhar... E você, sabe tocar algum instrumento?
-Ah, eu não... já até fiz aula de flauta uma vez mas, desisti. Não levava jeito pra isso.
-Você deve ser boa em algo.
-É, em me meter em confusão, talvez...
-Talvez em ser pesquisadora, escritora, jornalista, ou... uma grande flautista, quem sabe?
Júlia olhou para Davi pronta para rir mais uma vez, até notar que ele falava sério. E em questão de segundos ela percebeu o que nunca havia refletido em uma vida inteira... "quem sabe?".
-Eu sempre achei errado falar que somos nós quem construímos nossa historia. Olha só onde eu vim parar, a um ano atrás me perguntaram o que eu queria para meu futuro e não foi isso que eu respondi. Claro que eu interfiro em minhas escolhas, mas não depende só de mim. Entende? Eu não sou o mistério, o futuro que é.
Júlia não o questionou e nem mesmo o contrariou, pois nunca havia escultado tanta verdade em uma só fala. Não se pode planejar cada segundo da vida, e nem mesmo julgar o futuro glorioso ou ruim. A vida é espontânea e não se vive sozinho. Ela entendeu o recado, poderia se surpreender futuramente ou se encontrar em dificuldades, mas era essa incerteza que deixava tudo mais interessante. Nos levando a tentativas e experiencias inesquecíveis.
-Toca mais um pouco. -Pediu ela com um sorriso no rosto.
Davi pegou novamente a gaita e dessa vez tocou uma canção mais agitada fazendo os dois dançarem enquanto andavam. O Papa é Pop, Engenheiros do Hawaii.

Depois de um tempo,eles encontraram carona. 

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