24 outubro 2014

A Pesquisa de Júlia - Episódio 5

O amor é um verbo. -Love is a verb (aqui)

O medo era claro nos olhos de Júlia, que se manteve imóvel depois de seu ato. Pensou que iria receber uma resposta bruta, mas para sua surpresa ele apenas se sentou, como se arrependesse de algo.
-Desculpa, Júlia. Achei que você também...
-Em algum momento disse que queria algo com você? -Ela peguntou furiosa, com lágrimas nos olhos
-Calma aí, somos adultos e estamos sozinhos.
-E isso é motivo para você me atacar dessa forma? Acha que sou algum objeto ou algo do tipo, para simplesmente fazer o que fez apenas por desejo, acha?
Júlia agora estava gritando, tentou não derramar as lágrimas que borrava sua visão, mas não conseguiu conter. Matheus por sua vez se encontrava rindo da situação, e isso a deixava mais furiosa por dentro.
-Não aumente o tom comigo, okay? Tudo bem, eu errei já me desculpei mas... Ah Júlia! Eu sou homem.
Sem pensar duas vezes Júlia pegou suas coisas e sua bolça, queria sair dali o mais rápido possível. Ele a observava e tentava acalmar as coisas, mas seus argumentos não eram o suficiente para ela.
-Homens são assim, sentimos desejos e temos que corresponder as nossas necessidades. Não me leve a mal, Júlia. Não precisa ir agora.
-Nem tente me pedir para ficar, e saiba que está sendo ridículo ao tentar dar uma explicação por suas atitudes estupidas. Eu vou embora para continuar minha pesquisa, com ou sem sua ajuda.
Júlia pegou sua mochila e saiu da casa, novamente não tinha para onde ir, mas naquele lugar ela não ficaria. Ele não correu atrás ou a impediu, apenas riu novamente sobre o susto da garota. Júlia andava pelas ruas quase vazias da cidade, e não escondia o que sentia por dentro, as lágrimas rolavam pelo seu rosto. Tudo o que a vinha em mente, era seu tempo de menina.

Andou por quase uma hora e logo sentiu fome, mas poupou o dinheiro para mais tarde. Decidiu ir para a praia e ver as ondas se quebrarem enquanto novamente escrevia em seu pequeno caderno.
"Como toda rosa, o amor contem seus espinhos."
Uma gota caiu sobre o papel, manchando a palavra "espinhos". Pensara que havia sido uma de suas lágrimas, mas ao olhar para o chão, observou mais gotas caírem. O céu chorava, assim como ela.

 Depois de duas horas, a menina andou de volta para a estação de trem, estava decidida em voltar para casa. Por algum motivo do qual ela não sabia, seus planos e poucas perguntas já não tinham mais valor. A pesquisa estava oficialmente, encerrada. Júlia não esperava a hora de ir embora, voltar para sua casa e esquecer totalmente dessa historia de amor. Lá estava, sozinha, até alguém sentar ao seu lado.
-O trem não passa hoje. -Disse uma voz rouca que fez Júlia estremecer por dentro. Ela tentou não encara-lo, mas precisava saber quem estava ao seu lado. Não sabia ao certo mas ela conhecia aquela presença, aquela voz. E então, o viu. -Não passa em dias como esses. -Prosseguiu ele.
Ele, mas quem era ele? Ela não sabia seu nome nem o que fazia da vida, mas lembrava daquele corte rebelde. Era ele, só podia ser ele.
- Você perdeu ele também?-Perguntou com voz baixa
-Não necessariamente.
Ele falou entre um curto riso, o que fez Júlia rir também. Logo os dois se entreolharam, e o riso se desfez. Ele voltou o encarar os trilhos vazios, parecia ser do tipo que não conversava diretamente. Mesmo assim, Júlia o olhava disfarçadamente.
- Não é da minha conta, mas o que faz sozinha aqui? -Perguntou ele.
-Além de tentar pegar o trem?
-Você está tentando me enganar ou não sabe ler. Na entrada tem placas dizendo que hoje, nenhum trem irá chegar ou sair daqui. Mesmo assim, você veio para cá.
-Você também sabia disso, mesmo assim está aqui. Por acaso está me seguindo?
-Me desculpe, só queria te ajudar se caso fosse preciso a minha ajuda.
-Quer mesmo me ajudar? Afaste isso de mim.
Ela entrou-lhe seu pequeno caderno, o qual ele recebeu e o foleou.
-Uma pesquisa... sobre o amor? -Fez uma careta ao ler.
-Eu sei, uma loucura.
-Mais que loucura! Quem levaria isso tão a sério?
O rapaz se pós a rir, e sua risada parecia se multiplicar aos poucos. Mas ao perceber que a menina não havia levantado os olhos, ele parou, e notou que ela sim levaria aquilo a sério.
-Tá com fome? -Perguntou ele.

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