10 julho 2014

Don't Let Me Down

Márcia andava pelas ruas frias e quase vazias de sua cidade, estava exausta depois de um longo dia perdida na papelada do trabalho. Além de levar uma bronca de seu chefe, teve que ouvir alguém dizer que seus sapatos não combinavam com o casaco que usava. Ela nunca deu a minima para o que os outros pensavam dela, e sempre foi um desastre ambulante em seu trabalho, apenas tentava garantir o dinheiro do dia seguinte. Mesmo assim, quem a via caminhando por aquelas ruas frias e quase vazias notava que algo havia acontecido de errado na vida daquela mulher. Ao chegar em casa ela tirou os sapatos e o jogou em em canto qualquer da sala de estar, desfez o coque que antes prendia seu longo cabelo e pôs uma musica para tocar em seu velho e fiel som. Foi até a cozinha e lhe serviu um vinho dos caros, que havia guardado para uma noite especial. Se sentou na parte escura da sala de estar de frente para seu desafio e o encarava enquanto ouvia Don't Let Me Donw dos Beatles, não foram suficiente mais de dois minutos para ela sentir as lágrimas rolarem. Se aproximou do telefone, a quem tanto encarava, e começou a discar rapidamente antes de qualquer arrependimento.
-Alô? -Atendeu a voz na linha.
-Oi, sou eu.
-Ah... Oi, Márcia. Não esperava uma ligação sua.
-Pois é, nem eu.
-Como vai a vida?
-Sem você...
-E isso é bom ou ruim?
-Eu não imaginava que seria tão ruim assim. Se quer mesmo saber como vai a minha vida, eu lhe digo. Não tenho amigos para sair  nos fins de semana nem mesmo alguém para rir de uma piada boba, vivo rodeada de pessoas vazias e meu chefe vivi dando no meu pé. Eu já cansei disso tudo, desses meus sapatos e dessa sala escura mas nada, nada consegue ser mais torturante que beber um vinho desses sozinha.
-E como se sente por isso?
-Eu sinto a sua falta, essa é a unica coisa que consigo sentir depois que você se foi.
Pela primeira vez Márcia engoliu seu próprio orgulho e disse tudo o deveria ter dito a muito tempo. Mas o único som que ouvira depois disso, foi a da ligação sendo desligada. O mundo daquela pobre mulher também havia se desligado. O telefone foi posto em seu devido local, e Márcia continuou a beber seu liquido frio e violeta. Como se não bastasse, alguém resolve a atormentar às 21:25 com leves batidas na porta de madeira.
-Esse vinho foi guardado para uma noite especial, a nossa noite.
Era ele, e qualquer problema havia se tornado menor para ela.

4 comentários:

  1. Ah, que amorzinho <3 às vezes engolir o próprio orgulho não faz mal, né? E é incrível sobre como certas pessoas tem muita importancia em nossa vida...

    queissobela.blogspot.com

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    1. Nunca gostei de pessoas orgulhosas demais, pois eu sempre tive uma facilidade para me arrepender, me desculpar ou dizer o que sinto por alguém. Acho que devemos demonstrar o amor que sentimos pelas pessoas enquanto vivos, o orgulho só atrapalha.
      Que bom que você gostou ^-^ obg viu <3 bjs

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  2. Awn' Deu até vontade de beber vinho, mas só me resta este amargo e horrendo café... Fazer o que, né?
    Amei a crônica, Bi!!

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    1. kkkk assim como tudo, o café tem lá suas vantagens né Kate? kk' u.u Obrigada :)

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